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Trabalho escravo na moda.

Não é de hoje que ouvimos falar sobre a mão de obra escrava na moda, das 150 bilhões de peças produzidas no mundo, muitas são feitas de maneira forçada. O trabalho análogo ao escravo, também chamado de escravidão contemporânea, ainda é recorrente na indústria têxtil e da moda, se tornando mais evidente após o desabamento do edifício Rana Plaza, em Bangladesh, que empregava mais 5.000 pessoas no setor de confecção, o acidente causou a morte de 1.135 trabalhadores, que estavam em condições análogas à escravidão.


Imagem Repórter Brasil

Em uma matéria feita pelo site ELLE aponta que a superexploração é recorrente no setor têxtil desde o século passado, de norte a sul do Brasil, mas, em São Paulo, o crime está bastante vinculado à imigração. Na capital paulista (pólo que concentra 27% da mão de obra brasileira empregada na indústria têxtil) os bolivianos se tornaram a maioria dos imigrantes. Muitos chegam na cidade para trabalhar em oficinas de costura por meio do tráfico de pessoas. "[Eles] são envolvidos por falsas promessas de emprego, e quando chegam nas oficinas ficam em isolamento geográfico, servidão por dívida, jornadas exaustivas, todos habitando o mesmo cômodo, sob risco de incêndio e acidentes, trabalhando até 17h por dia", explica Gustavo Accioly, procurador do trabalho.


A mão de obra escrava no setor da moda se deu início devido às grandes demandas das fast fashion, e por tratarem a costura como mão de obra barata. Marcas de roupas brasileiras já foram flagradas ao explorar o trabalho escravo contemporâneo em pequenas oficinas terceirizadas, a maioria com funcionários imigrantes.

Fashion Revolution

Em relatos feitos pelo site Repórter Brasil, tivemos marcas como Marisa, M.Officer, Brooksfild Donna, Pernanbucanas, Collins, entre outras. Todas com funcionários imigrantes e em alguns casos menores de 18 anos. Uma realidade bastante comum, principalmente na grande São Paulo.

Terceirizar é um dos principais problemas, grandes marcas instalam suas operações onde podem produzir mais pagando menos. Terceirizados recebem 24% menos do que os contratados diretamente (CUT) e são vítimas da flexibilização de direitos trabalhistas.

"Muitas empresas optam por terceirizar, e a regra básica é sempre buscar o melhor preço" – explica Marcel Gomes, diretor executivo da Repórter Brasil.


O embrião do trabalho análogo ao escravo, na moda e em qualquer seara, fazem parte das mazelas sociais geradas por um sistema econômico que se esforça em desumanizar pessoas. "Se a gente não tivesse uma população vulnerável, ela não seria explorada", afirma Mércia Silva, diretora executiva do Instituto Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo (InPacto).


Hoje existem muitos meios de denunciar, uma ferramenta foi criada para auxiliar na visibilização da cadeia produtiva da moda é o aplicativo Moda Livre, criado pela Repórter Brasil, disponível também em formato de site. Com ele, é possível encontrar informações sobre mais de 100 marcas que já foram flagradas com essa prática, em formato de ranking, além de dados relevantes sobre o crime no Brasil.

Imagem divulgação

Como também o Fashion Revolution, que é o maior movimento de ativismo da moda do mundo, mobilizando cidadãos, marcas e formuladores de políticas por meio de pesquisa. Trazendo questionamentos necessários como “Quem fez minhas roupas” e debates importantes sobre transparência na moda, o movimento tem objetivos como:

  • O fim da exploração humana e ambiental na indústria global da moda

  • Condições de trabalho seguras e dignas e salários dignos para todas as pessoas na cadeia de suprimentos

  • Equilíbrio de poder redistribuído e mais igualitário em toda a indústria da moda global

  • Um movimento trabalhista maior e mais forte na indústria global da moda

  • Uma indústria global da moda que trabalha para conservar recursos preciosos e regenerar ecossistemas

  • Uma cultura de transparência e responsabilidade em toda a cadeia de valor

  • O fim da cultura do descartável e a mudança para um sistema em que os materiais são usados ​​por muito mais tempo e nada é desperdiçado

  • Patrimônio, artesanato e sabedoria local são reconhecidos e valorizados

Fashion Revolution

Entre os dias 18 e 24 de abril acontecerão vários eventos de conscientização, para saber mais acesse a programação do Fashion Revolution.


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Por Amanda Souza

@amandajustili


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