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Semanas de moda 2022: abordagens sustentáveis

A moda está finalmente começando a reconhecer seu impacto no planeta e, consequentemente, começamos a ver pequenas mudanças significativas durante as principais semanas de moda mundo. A Copenhagen Fashion Week, por exemplo, vem liderando a tarefa de reconhecer a importância da sustentabilidade para a indústria da moda e assumindo a responsabilidade de apresentar esses novos discursos.


Com propósitos inovadores para o mundo da moda, o primeiro passo abordado pela CFW é a redução do impacto ambiental de seus desfiles e o segundo é fazer com que todas as marcas adotem políticas de sustentabilidade rigorosas. “No nosso mundo, é preciso olhar holisticamente para a sustentabilidade. Não acho que você possa se denominar uma marca sustentável se não estiver trabalhando ativamente toda a sua cadeia de valor.”, diz Cecilie Thorsmark, CEO da Copenhagen Fashion Week.

Um dos destaques na edição deste ano foi a grife dinamarquesa Carcel, que usa materiais naturais e emprega mulheres presas no Peru e na Tailândia para fabricar suas roupas. Rejeitando o formato tradicional da passarela, a grife fez o seu debut na CFW não exibindo nenhuma roupa, optando, ao invés disso, por uma instalação de vídeo para destacar os principais problemas da indústria.


Carcel (Foto: Reprodução/Instagram)


"Estão vendo como nós, uma semana de moda, podemos usar nossa plataforma para nos envolvermos ativamente com a indústria e promover mudanças," explica Thorsmark. "A parte mais importante é ver como podemos acelerar a transição sustentável das marcas".

Mas em contrapartida, como seguem as demais semanas de moda?

A moda pede urgência na mudança de seus processos e em contramão o meio ambiente pede socorro pelos seus excessos. As principais fashion weeks chegaram ao fim, e acompanhamos o crescimento de desfiles e eventos que marcam a volta de coleções extensas e a continuidade do consumo excessivo aliado a superprodução de produtos de moda - com a reprodução de várias tendências supérfluas, por exemplo.

Por outro lado, hoje vemos movimentos como o reaproveitamento de resíduos para a confecção de roupas e acessórios, que almejam uma produção com desperdício zero, e uma forte tendência que coopera com isso é o upcycling. Na Paris Fashion Week 2022, a marca Botter investiu na sustentabilidade e trouxe em sua coleção nomeada “Caribbean Couture”, elementos que muitos consideram descartáveis. Com o desejo de proteger os recifes de corais do Caribe, eles fizeram uma parceria com a Parley for the Oceans (uma organização ambiental sem fins lucrativos que se concentra na proteção dos oceanos) para criar acessórios com plásticos reciclados do oceano, transformando-os em capacetes e camisas.


Imagem tirada por Eva Al Desnudo para Models.com


Já uma das jaquetas desfiladas foi costurada com um par de calças e uma camisa listrada - pelo processo de upcycling. Além disso, as roupas fizeram uma alusão aos corais no fundo do mar por meio das cores e do brilho.

Desfile da Botter (Foto: Reprodução/Instagram)


Outras referências sustentáveis foram abordadas na edição de outono-inverno 2022/2023 da Paris Fashion Week, uma das tendências que mais se destacaram nos primeiros dias foram os tecidos sustentáveis. No desfile da marca Chloe, que tem atualmente Gabriela Hearst como diretora criativa da marca - estilista que já é conhecida por trabalhos sustentáveis no meio da moda -, foi apresentada uma coleção que teve 58% das peças feitas com materiais de menor impacto. As bolsas originalmente feitas de couro, foram retrabalhadas em linho e as solas dos sapatos foram formadas a partir de resíduo oceânico recuperado.


Foto de Vianney Le Caer/Invision/AP


A última edição da Fashion Week Milão 2022, realizada dos dias 20 a 26 de setembro, também foi marcada pela inclusão e sustentabilidade. Garantindo espaço em Milão, a 6ª edição da Brasil Eco Fashion Week levou sete empresas brasileiras conduzidas pela sustentabilidade e saberes culturais: Catarina Mina, KFBranding, Libertees, Ateliê Mão de Mãe, Meninos Rei, Vestô e Simple Organic.


Meninos Rei (Foto: Reprodução/Instagram)


“Nossa sociedade deve entender que a moda é para todos! Todos os gêneros e todos os corpos. Eu sempre tenho este sentimento por mais que seja a quarta vez que desfilo, porém, desta vez levando comigo a história de outros. Fazer história como mulher negra proporcionando aos meus semelhantes a possibilidade de sair da cozinha e ocupar a sala de estar.”, relata Kel Ferey - idealizadora do evento - em entrevista para a FFW.

Apesar da sustentabilidade ser uma pauta frequente devido a conscientização de uma boa parte da sociedade e a urgente necessidade de mudanças frente a crise climática que já estamos enfrentando, continuamos a presenciar poucas mudanças efetivas na cadeia de produção da moda, principalmente por parte das grandes marcas de luxo. Ainda testemunhamos muitos movimentos contraditórios quando se trata de dados específicos sobre os processos de cada marca, e há ainda aquelas que se aproveitam do greenwashing.

A sustentabilidade precisa urgentemente ser adquirida como um lifestyle e para isso precisamos trazer esse movimento com mais acessibilidade, fazer com que as semanas de moda sejam mais diversas e menos elitistas, afinal de contas, sustentabilidade é também inclusão.


Por Amanda Souza e Ana Moraes

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