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Quem te influencia?

Não é novidade que precisamos reavaliar vários setores da indústria da moda urgentemente, e a inclusão é um deles. Diversos movimentos, como o Fashion Revolution, compartilham falas sobre a inclusão na moda há um tempo, e engana-se quem pensa que é só sobre representatividade estética, estamos falando, também, de influências e acessibilidade.


Quando buscamos por influencers nas redes sociais, esperamos que sejam pessoas reais que nos representem em diversos setores, seja ele estético ou social. Até porque, devemos evitar comparar nossa realidade com a de pessoas que vemos somente através das redes sociais. Muitas vezes, o que é retratado como uma vida perfeita e luxuosa é apenas um recorte do que aquela pessoa quer que você veja e se inspire.


Em eventos como as Semanas de Moda, por exemplo, vemos que a inclusão só é legal quando utilizada para gerar status, e não para promover mudanças efetivas dentro das marcas como deveria ser feito. Falar sobre diversidade e incluir biotipos diversos é um desafio para o mercado da moda que sempre foi baseado nos padrões de beleza voltados para corpos jovens, magros e brancos, muitas vezes irreais. Por isso, em pleno século XXI a abordagem principal continua sendo promover imagens desses corpos “perfeitos” e itens de luxo. Afinal de contas, quem não gostaria de estar em uma semana de moda em Milão, Paris, New York e etc?


Aparentemente, a pandemia havia acabado com alguns paradigmas acerca do assunto. Porém, mesmo tendo a consciência de que somos seres diversos, ainda estamos suscetíveis a influência dessa indústria que através de imagens de corpos perfeitos, que frequentemente são irreais, geram desejos insaciáveis e inalcançáveis de ter e/ou ser aquilo que muitas das vezes não podemos.


Recentemente, vimos um post nas redes sociais do Fashion Revolution com a seguinte temática: “a moda só será sustentável quando for verdadeiramente inclusiva”. Isso despertou a nossa atenção, pois quando falamos de sustentabilidade e inclusão, estamos falando também de questões sociais que muitas vezes não são abordadas como deveria, entre elas a influência real. E não podemos esquecer que o significado de sustentabilidade leva em consideração os aspectos sociais e econômicos, além da preocupação com a natureza.


Sustentabilidade não é só sobre o quanto é bonito e significativo comprar roupas de tecidos sustentáveis, por exemplo, é também sobre dar voz e poder a quem não tem. A moda tem um papel social na vida das pessoas, ela não trata somente de peças de roupas e itens de luxo, e sim da essência e do propósito que uma marca transmite. Abordagens apelativas e pouco acessíveis são constantes, mas a moda só será política quando ela for verdadeiramente inclusiva.


Por Amanda Cristina e Ana Moraes

Imagem @gleesonpaulino

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