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Por que comprar em brechó?

Eu poderia começar este texto te pontuando as vantagens de comprar em brechós, ou até mesmo te dando dicas para tal prática, já que constantemente nos perguntamos o por que, e por qual propósito, sendo que podemos comprar algo novo e atual.


A resposta está exatamente aí, comprar em brechó vai muito além do preço ou das tendências do momento, falamos de propósito, qualidade e autenticidade, já que a grande maioria dos produtos vendidos em second hand são vintages ou de coleções passadas, com alto nível de qualidade e de marcas renomadas no mercado.

Capa de divulgação

Mas para contextualizar tudo isso, vamos começar no início. A venda de objetos e roupas usadas, os "brechós" como conhecemos hoje, surgiram no século 19, nas feiras ao ar livre chamadas de “Mercado das Pulgas”, essas feiras começaram na Europa, mas precisamente em Paris e se tornaram populares devido à crise causada pela Primeira e Segunda Guerra Mundial. Já no Brasil a primeira loja de venda de roupas e objetos de segunda mão surgiu no Rio de Janeiro também no século 19, fundada por um comerciante português chamado Belchior.


Mercado ambulante em Paris - século 19 Foto: google imagens

Compreensível que o intuito inicial era vender por valores mais baixos e lucrar com isso, sendo benéfico não só para o vendedor como também para o consumidor já que vínhamos de um dano econômico mundial. Mas os anos se passaram e comprar roupas de segunda mão virou ato recorrente, e durante um longo período víamos os brechós como uma forma para consumir roupas vintages e exclusivas com custos menores, valia tudo para estar na moda.


E claro que tudo isso se popularizou e ganhou nosso coração, não pelo intuito certo. Mas nunca é tarde para entender o verdadeiro propósito ou dar um propósito a esse consumo.


Com o passar dos anos, ou sendo mais clara, diante dos danos causados ao meio ambiente, as pessoas/marcas começaram a se importar com o destino final das peças, ou se dizem importarem. Afinal é muito mais interessante se posicionar como sustentável, pregar a economia circular e consumo consciente do que mudar os processos.


Parece que apoiar, consumir e viver de brechó ganhou nome e visibilidade, hoje contamos com várias startups como a Troc, Enjoei, Repassa e várias outras com nomes populares pregando o consumo consciente, incrível. Mas muito além de falar aqui que as marcas estão acertando ou inovando, precisamos falar que o mínimo está sendo feito e ganhando visibilidade como algo inédito. Longe de mim desvalorizar todo esse processo, mais do que nunca sou estudiosa e fã de atos sustentáveis, principalmente na moda. Entendo e aprendi que para tudo deve-se ter um porquê, e o porquê de marcas tão renomadas como a C&A, está produzindo peças com sobras de coleções anteriores?


Imagem da startup Troc. Foto: google imagens

Precisando exaltar atos tão importantes para esclarecer que por trás de tudo sempre tem alguma coisa, é lógico que não posso e não devo falar por todos. Hoje mais do que nunca pautas necessárias como meio ambiente ganhou a devida visibilidade, não ser sustentável no século 21 está fora de moda. Não falamos mais só sobre a floresta Amazônica, hoje nossas urgências são maiores e mais complexas, estamos falando do futuro.

Comprar em fast fashion é obsoleto, não estamos aqui para ditar certos ou errados, mas sim falar de uma realidade, o planeta pede urgência é mais do que nunca nossos atos de consumo conta.


Então digo porque comprar em brechós, porque além de você está fomentando a economia circular e dando novos destinos a itens usados, você está também economizando 5.600 litros de água que seriam usados na produção de uma calça jeans nova, está impulsionando a economia da água e energia, valorizando a mão de obra local. Além de consumir de forma mais responsável e econômica, já que novamente o brechó se destaca em um cenário crítico (como no seu surgimento após a primeira e segunda Guerra Mundial).


Segundo uma matéria lançada pelo site Exame, há mais roupa sendo produzida no mundo e logo em seguida descartada, depois de pouco uso. O consumidor médio compra hoje 60% mais peças de vestuário do que há 15 anos e cada item é utilizado por apenas metade do tempo. O impacto da fabricação é enorme: a indústria da moda é responsável por entre 8% e 10% das emissões de gás carbônico e é a segunda indústria que mais consome água, gerando cerca de 20% de todo o esgoto e água despejados no ambiente, segundo dados da Organização das Nações Unidas.


O site Modefica também lançou uma matéria onde estima-se que com o aumento da produção até 2030, a contribuição da moda para o colapso climático deve aumentar 49% segundo estimativas da Quantis e 63% segundo estimativas do Global Fashion Agenda (GFA).


Imagem: Reprodução site Modefica

Ressignificação sempre foi algo recorrente na moda. Hoje para mim faz mais sentido, mas concordo que entender e adotar um estilo de vida é um constante processo, e emergente também. Mas precisamos estar sempre um passo à frente e prontos para o novo.

Como já diz nossa querida parceira Alessandra Alkmim, NÃO DUVIDE DO FUTURO, ELE SERÁ INSTÁVEL, IMPREVISÍVEL, INTELIGENTE, INÉDITO E CIRCULAR.


Reciclar ou reutilizar roupas gasta apenas uma pequena fração da energia para a fabricação a partir da matéria-prima.

Então sim, use, reuse e use novamente. Pois estar na moda é também ter um estilo único e autêntico.


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Por Amanda Cristina

@amandajustili


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