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O crescimento do mercado de Secondhand

Recentemente, acompanhamos o notável crescimento e popularização do mercado de Secondhand ao redor do mundo. Isso se deve, em grande parte, a mudança de comportamento de consumo estimulada pela pandemia que, de certa forma, alertou a sociedade sobre o real impacto da indústria da moda no meio ambiente.


A conscientização da sociedade é de extrema importância para a realização de uma moda mais limpa e com menos impacto ambiental. Quando se cria o hábito de questionar os seus desejos, o consumidor também passa a se informar mais sobre a marca, buscando entender a origem daquele produto e sua contribuição social.


Além disso, essa mudança de comportamento, decorrente da pandemia, revela que as pessoas estão cada vez mais dispostas a vender suas roupas e/ou comprar peças de secondhand, principalmente no ambiente digital. Em um estudo feito pela ThredUP, um dos maiores e-commerce internacionais de secondhand, foi divulgado que 70% dos consumidores dizem que é mais fácil comprar em segunda mão do que há 5 anos, graças ao surgimento da tecnologia e dos mercados online.


Outro dado divulgado pela ThredUP é que a pegada de carbono é reduzida em 82% quando realizada a compra de produtos usados, o que justifica o grande interesse das gerações Y e Z no segmento. Em 2019, essas duas faixas etárias representaram, pela ordem, 29% e 37%. Isso ocorre pois ambas gerações possuem uma maior preocupação com a sustentabilidade e com o mundo que representa o futuro para eles.


Sendo assim, não é novidade que a revenda é uma solução poderosa para o desperdício da indústria da moda:


E como essa mudança se torna cada vez mais urgente, já é notável uma movimentação por parte do mercado de fast fashion e de luxo para se adaptarem a esse “novo” comportamento de consumo. Recentemente, a Zara anunciou que está entrando no mercado de revenda com um primeiro teste no Reino Unido. A novidade foi lançada no dia 3 de novembro e os clientes poderão revender suas roupas compradas na marca, bem como agendar reparos. Caso seja bem-sucedido, a empresa – considerada um dos grandes nomes do fast fashion – já afirmou que o serviço será expandido a outros grandes mercados.


A Balenciaga é um outro exemplo de marca que têm buscado promover um consumo circular. O novo programa “pre-loved”, lançado no final do mês de setembro de 2022 em parceria com a start-up de resale Reflaun, foi bem-sucedido nos testes iniciais e consiste em o consumidor devolver para a marca uma de suas peças usadas. A peça então terá sua autenticidade verificada, será precificada e poderá ser disponibilizada em cerca de 25 marketplaces de revenda. Assim que o item for revendido, o cliente recebe o dinheiro ou um valor em crédito para alimentar novas compras na marca, em lojas participantes.


No ritmo em que a indústria da moda está produzindo roupas, é crucial que a revenda se torne uma parte fundamental do estilo de vida dos cidadãos. Mas também, devemos estar atentos para ações de greenwashing que ao invés de ajudar a resolver os problemas intrínsecos da indústria, apenas varrem a sujeira das marcas para debaixo do tapete.


Por outro lado, sabemos que a escolha de abraçar a reutilização nem sempre é fácil quando nos deparamos com infinitas opções – muitas das quais incentivam a compra de moda barata e descartável –, mas o aumento da revenda online permite que os consumidores façam escolhas diferentes, diminuindo os impactos no meio ambiente.


Em vista disso, acreditamos, cada vez mais, que o armário do futuro será circular com um guarda-roupa sempre giratório.


Por Ana Luíza Moraes.

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