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Fórum Fashion Revolution 2022

Em 2013 surgiu o movimento Fashion Revolution, após o conselho global de profissionais da moda se sensibilizar com o desabamento do edifício Rana Plaza, em Bangladesh. O complexo fabril que se localizava na cidade de Savar, empregava mais de 5.000 pessoas queconfeccionavam roupas para algumas das maiores marcas e varejistas globais da moda. O acidente causou a morte de aproximadamente 1.135 trabalhadores, que estavam em condições análogas à escravidão.


Após o desabamento do Rana Plaza, em 24 de abril de 2013, esta data ficou marcada e até hoje é vista como uma oportunidade de conscientizar as pessoas sobre os verdadeiros impactos da indústria da moda, que vão além do ambiental. Levando tudo isso em consideração, a missão do Fashion Revolution é estabelecer uma indústria da moda global que conserva e restaura o meio ambiente e valoriza as pessoas acima do crescimento e do lucro. Visando o fim da exploração humana e ambiental na indústria global da moda, condições de trabalho seguras e salários dignos para todas as pessoas na cadeia de abastecimento, entre outros objetivos.

Suas ações crescem a cada dia ao redor do mundo todo, o levando a ser considerado hoje um dos maiores movimentos de ativismo da moda global, mobilizando cidadãos, marcas e formuladores de políticas por meio de pesquisa, educação e advocacia. Assim, foi criado aqui no Brasil o Fórum Fashion Revolution, a primeira plataforma elaborada exclusivamente para fomentar a pesquisa e o desenvolvimento sustentável na indústria da moda. Onde os participantes são incentivados a explorarem os possíveis cenários, desafios e soluções sustentáveis dentro do sistema da moda, através de diferentes abordagens metodológicas e filosóficas.


No dia 19 de outubro acompanhamos o Fórum Fashion Revolution 2022, que ocorreu virtualmente e no qual foram apresentados diversos projetos sobre moda e sustentabilidade. Participando como ouvintes, conseguimos aprender bastante escutando as várias apresentações super objetivas, que envolveram múltiplos assuntos e visões sobre as problemáticas que circundam a indústria da moda.


Ouvimos sobre alternativas mais sustentáveis para o reaproveitamento do coco, um alimento em alta no nosso país, mas que não é descartado e reaproveitado de uma maneira correta. Abrindo as apresentações, Gabriela Tamashiro falou sobre como as fibras podem ser utilizadas para a confecção de solados de sapatos, por exemplo, ao invés de serem jogadas fora nos aterros sanitários, contribuindo para a incessante produção de lixo não reaproveitados.


Ao decorrer das apresentações, muito foi falado sobre a violação dos direitos humanos na indústria da moda e dos casos de trabalho escravo contemporâneo na cadeia produtiva. Infelizmente, observamos como esses casos são recorrentes e recentes, mesmo com fiscalizações por parte dos órgãos competentes – que são escassas, diga-se de passagem – e uma maior conscientização das pessoas que trabalham no meio. Muitos consumidores ainda são enganados ou até mesmo se mantem alheios a essa realidade, e não tem nenhum conhecimento sobre a procedência da roupa que lhes é vendida.


Assim, fica claro para nós como é essencial que conscientizemos os consumidores sobre o verdadeiro custo que a cadeia produtiva tem desde o processo de produção ao consumo e, seu impacto social e ambiental. Na oitava apresentação do dia, Elisângela Tavares fala um pouco sobre isso, trazendo seu relato sobre suas experiências no IFG (Instituto Federal de Goiás) e nos mostrando como a educação é o alicerce para que obtenhamos uma moda mais sustentável. Frisamos então uma de suas falas sobre como o modelo econômico em uso alicerça-se na superprodução e consumismo, e descarte sem responsabilidade, deste modo, se faz necessário identificar e fomentar alternativas de modelo econômico que alterem essa situação. Afinal de contas, precisamos “educar para revolucionar”.



No terceiro dia do evento, que ocorreu presencialmente na Unibes Cultural, em São Paulo, nossa parceira Thaisa Bogoni esteve láapresentando o trabalho que desenvolveu em coautoria com Marina Blank, denominado DIGNIDADE MENSTRUAL: DIÁLOGOS ENTRE MODA SUSTENTÁVEL, DIREITOS HUMANOS E ATIVISMO FEMINISTA. O artigo se propõe a criar um diálogo entre as noções de moda sustentável, ativismo feminista, cooperativas e responsabilidade social de empresas, tendo como objetivo mostrar alternativas para soluções de enfrentamento à pobreza menstrual, como os projetos das marcas Pantys e Korui, fabricantes que realizam doações de calcinhas absorventes e coletores menstruais.



Ela também compartilhou conosco suas percepções do evento, como foi assistir os demais trabalhos e interagir com os participantes pessoalmente:

“Como profissional de marketing, posso dizer que o evento foi muito bem-organizado, tendo toda a estrutura necessária para atender as demandas dos presentes de forma funcional e acolhedora. Porém, me admirei com o clima da ocasião, que foi extremamente humanizado. De forma orgânica e fluída, tudo foi pensado para acolher e conectar as pessoas, com os recursos necessários para a inclusão dos participantes, respeitando suas particularidades. Como pós-graduanda na área de Moda e Sustentabilidade, me chamou atenção a diversidade de pessoas e temas, uma consequência de uma curadoria extremamente competente na escolha dos trabalhos apresentados para agregar valor ao encontro. Lá circularam estudantes, pesquisadores, professores, designers, influencers e outros profissionais que atuam com moda e estão focados na pauta da sustentabilidade, o que fez com que eu mesentisse privilegiada em fazer parte daquele momento. Conheci pessoasautênticas, disponíveis, abertas ao diálogo e a trocar experiências que somassem ao trabalho umas das outras e ao que se propõe o movimento.Aproveito para citar alguns dos assuntos apresentados nos trabalhos e debates: nanotecnologia, upcycling, ESG, criação colaborativa, artesanato, materiais e fibras alternativas, automação e precarização do trabalho, zero waste, direitos trabalhistas, aluguel de roupas, indústria da moda na pandemia, direitos humanos, cultura, educação, diversidade, marcas inovadoras, moda, pessoa com deficiência e envelhecimento, E indico a leitura dos trabalhos completos no E-book do FFR que já está disponível pelo link: https://lnkd.in/dKYdaeZd. Gratidão pelo espaço e partilha, equipe Wabi!”



Assim, concluímos que são diversos, complementares e inspiradores os trabalhos desenvolvidos na busca por um consumo de moda mais sustentável e que há excelentes estudantes e profissionais engajados conosco nesta causa, expondo seus projetos, expectativas e sonhos em eventos importantes como o Fórum Fashion Revolution, o que nos fortalece e nos incentiva a seguir em frente em nosso propósito e atuação.   

 


Por Amanda Souza, Ana Moraes e Thaisa Bogoni.


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